O IBGE vai a campo a partir de outubro testar um ambicioso plano de acompanhamento do mercado de trabalho e renda, a PNAD Contínua. Será uma espécie de mistura de Pesquisa Mensal de Emprego (PME) e PNAD (Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios). Eles querem aprofundar a pesquisa e ampliar a abrangência para todo o território do país.
Hoje, a PME tem limitações. Ela consulta apenas regiões metropolitanas. São seis capitais: Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre. Economistas frequentemente alertam que os resultados da pesquisa não refletem, portanto, a nova dinâmica da economia brasileira, como a do interior paulista.
Isso aconteceu quando a Vale e a Embraer, que não produzem em regiões metropolitanas, demitiram milhares de trabalhadores no ano passado. Essas demissões não entraram nas estatísticas oficiais do mercado de trabalho.
Segundo o IBGE, a ideia é que a PNAD Contínua comece a operar em 2011. Durante dois anos, a PME e a PNAD anual também serão realizadas em paralelo. E a partir de 2013, ficaria apenas a PNAD Contínua.
A nova pesquisa pretende consultar 717 mil domícilios em 3.328 municípios ao longo de todo o ano. Os resultados serão divulgados trimestralmente, com detalhamentos mês a mês. Mas o instituto ainda está estudando se divulgará dados mensais de algumas regiões.
— Diante do ganho de informações, os especialistas com quem temos conversado não têm demonstrado restrições ao fato da pesquisa ser trimestral. Mas estamos estudando a hipótese de fazer divulgações também mensais, de regiões específicas, e não de todo o território — explicou Márcia Quintslr, chefe coordenação de trabalho e rendimento do IBGE.
Na fase de testes, que acontecerá entre outubro e dezembro deste ano, serão percorridos domicílios em cinco estados: Rio, São Paulo, Porto Alegre, Distrito Federal, Pará e Pernambuco. No caso do Rio, os testes se estendem até dezembro de 2010.
— Estamos potencializando a PNAD e ampliando a PME — explica Cimar Azeredo, gerente da Pesquisa Mensal de Emprego, acrescentando que nada muda entre os indicadores.
Na nova pesquisa, uma série de possíveis temas serão abordados nas visitas ao longo do ano inteiro, como educação de jovens e adultos, habitação, migração, meio ambiente, segurança alimentar, trabalho infantil, entre outros.
Publicado no O Globo / Economia / MirianLeitao.com
(4/08/09)