"Os Jogos não podem ser só uma festa", avisa Lars, sobre o Rio-2016
Maurício Dehò Em São Paulo
Hoje de volta à vela, Lars Grael teve um teve um período de atuação política como secretário de esportes em nível nacional e estadual, em São Paulo. Viveu, assim, o período em que a candidatura do Rio de Janeiro aos Jogos Olímpicos era apenas um embrião, no começo do século, antes mesmo do Pan de 2007. Após a festa com a vitória na eleição para sede de 2016, em Copenhague, na Dinamarca, é hora de se pensar para onde o Rio poderá levar o país. Esta é a preocupação do paulista, duas vezes medalhista de bronze nas Olimpíadas.
"Os Jogos não podem ser só uma festa, com um fim", avisa Lars, que disse ter compartilhado o fervor da vitória brasileira. "Nunca tivemos um momento tão propício para discutir o esporte. Para que ele seja integrado às políticas sociais do governo. O esporte tem de ser elemento de políticas públicas."
Para Lars, o fundamental é trabalhar o esporte nos níveis de base, pensando não apenas em resultados, mas em saúde, educação e inclusão social.
Fora da política, o velejador está de volta ao mar e em alto nível, o que foi comprovado com o bronze no Mundial de Star da Suécia. O objetivo agora é melhorar o resultado no Mundial do Rio, em janeiro, para depois disto pensar se aos 45 anos encara mais um ciclo olímpico. Confira a entrevista com Lars, que falou sobre vela, sua deficiência, os Jogos no Rio e o que espera estar fazendo em 2016.
Como você viu a vitória do Rio na eleição para sediar os Jogos de 2016. Você compartilhou aquela exaltação, ou tem ressalvas?
Lars Grael: Compartilhei. Desde quando fui gestor como secretário nacional de esportes, dei minha contribuição ajudando a conceber o projeto. Em fevereiro de 2001, nós tivemos uma reunião na Suíça com o então presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Juan Antonio Samaranch, em que avaliávamos uma candidatura e como ela deveria ser. Ele disse que o primeiro passo era nos empenharmos em fazer uma competição continental. Foi o Pan, que teve uma parte de estratégia importante quando sediamos os Jogos Sul-Americanos de 2002. O evento foi tirado de Medellín (COL), por motivos de segurança, e de Mar Del Plata (ARG), por problemas econômicos. Nós o acolhemos e, nisso, ganhamos votos na América do Sul para o Pan. Aí veio 2007 e tivemos um excelente evento, apesar de algumas ressalvas, que deu credibilidade para sediarmos os Jogos.
Quais são os próximos passos para se pensar em 2016?
Lars Grael: Agora as Olimpíadas são um fato concreto. Seremos palco dos Jogos Militares [2011], da Copa do Mundo [2014] e dos Jogos Olímpicos. E, tão importante quanto as transformações urbanas para o Rio, temos de combater o crime organizado, garantir segurança e melhorar hotéis, transporte e condições ambientais. Além disso, temos de desenvolver com intensidade um espírito olímpico, que se faz mobilizando a sociedade, dando atenção ao esporte na escola, valorizando o profissional de Educação Física e o esporte estudantil.
VOLTA POR CIMA
Algumas pessoas tinham certo constrangimento em me ver competindo contra elas. Havia pena. Mas vendo que elas têm de dar o máximo de si para competir comigo, passaram a me admirar e a respeitar o meu esforço.
Acompanhe a entrevista completa no link UOL Esporte