O Estado de São Paulo ocupa a primeira colocação entre as unidades da federação com o maior número de jovens aprendizes contratados, totalizando 38.733 empregados. O número é apontado por meio de uma metodologia inédita do Ministério do Trabalho e Emprego, que cruza dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). Em 2006, o estado já liderava o quadro, seguido de perto pelo Rio de Janeiro e Minas Gerais, respectivamente, segundo e terceiro colocados.
Os números foram divulgados durante o lançamento do Placar do Aprendiz, que vai monitorar mensalmente as contratações de aprendizes para dar visibilidade às empresas que cumprem a Lei do Aprendiz (n° 10.097). A iniciativa é da ONG Atletas pela Cidadania, em parceria com o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, o Grupo de Institutos Fundações e Empresas (Gife) e o próprio Ministério do Trabalho e Emprego.
Se a Lei for cumprida pelas empresas instaladas no país será possível gerar um milhão de novos postos de trabalho para indivíduos entre 15 e 24 anos. Essa Lei, uma das poucas políticas públicas voltadas para a juventude brasileira, é pouco conhecida e, por conseqüência, cumprida por poucas empresas. “Esperamos incentivar as empresas e mobilizar toda a sociedade para que alcancemos, até 2010, a marca de 800 mil aprendizes contratados”, diz Raí Oliveira, diretor da Atletas pela Cidadania.
No Brasil, 50% da população jovem está desempregada e os investimentos do governo na juventude não chegam a 1%. Esses são dados do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -, resultado de uma pesquisa feita em 2000, e do último relatório do Banco Mundial de 2007. Já dados de 2005, apurados pelo DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos -, indicam que quase 90% dos jovens desempregados são de famílias com renda per capita inferior a dois salários mínimos. Somam-se a isso, o fato de que os jovens que abandonam a escola precocemente custam R$ 755 milhões anualmente para a sociedade, e eles próprios deixarão de movimentar no mercado R$ 297 bilhões em salários, que serão perdidos ao longo de suas vidas. Taxas de desemprego excepcionalmente altas entre jovens de 16 a 24 anos resultam em rendimentos anuais perdidos entre 641 milhões e 1,2 bilhão de reais.
Consulte o Placar do Aprendiz e veja mais detalhes.