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18.07.2008


Seminário da Lei do Aprendiz


Por Júlia Magalhães

Recentemente, durante evento promovido pelo Instituto Ethos em conjunto com a Secretaria Especial de Direitos Humanos do Governo Federal, o Presidente Lula afirmou que o Brasil poderia ter cerca de dois milhões de aprendizes no mercado de trabalho. “A adesão à Lei do Aprendiz pode significar a diferença entre a esperança e o desalento, entre o emprego e a criminalidade. Essa é uma iniciativa a espera de engajamento empresarial”, disse a uma platéia com mais de 230 presidentes de empresas. Exatamente uma semana depois desse discurso, a ONG Atletas pela Cidadania, o Instituto Ethos e o GIFE promoveram o Seminário da Lei do Aprendiz, realizado nos dias 1 e 2 de julho, no SESC Vila Mariana em São Paulo.

Com a presença de cerca de 550 participantes, o debate de abertura do Seminário refletiu sobre os desafios do desemprego juvenil no País e apontou os principais problemas que dificultam o cumprimento da lei pelas empresas. A mesa foi mediada pelo jornalista Gilberto Dimenstein e composta pelo secretário executivo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) André Figueiredo, pelo oficial de Políticas de Emprego da OIT Rogério Costanzi e pela coordenadora do projeto Jovens Urbanos do Cenpec Maria Júlia Azevedo.

Até o fim de maio deste ano o Placar do Aprendiz, resultado de uma parceria da Atletas com o MTE que monitora mensalmente a contratação de jovens, contava apenas 129.516 aprendizes. \\\"A meta é empregar 800 mil jovens pela Lei do Aprendiz até 2010. Sabemos que a uma meta é ousada e que isso significa um esforço imenso. Mas se todos se envolverem nesta luta, conseguiremos atingir nosso objetivo\\\", afirmou Raí Oliveira, presidente da Atletas pela Cidadania, ao comentar dados de um levantamento da RAIS sobre o potencial de contratação de aprendizes: caso as empresas cumprissem o mínimo de 5% da cota estabelecida pela legislação, o Brasil teria mais de 1.200.00 aprendizes.

No segundo dia de evento, 70 representantes de empresas, fundações, governo, sistema S, entidades públicas e organizações não-governamentais se reuniram para elaborar diretrizes para a lei. Entre os principais encaminhamentos estão a criação de fóruns permanentes de esclarecimento e o desenvolvimento de um plano de comunicação para a divulgação da lei, a equiparação das entidades certificadoras com o Sistema S e as escolas técnicas e maior participação das entidades de responsabilidade social na promoção do tema. Essas diretrizes resultarão em um documento que será entregue em audiência com o Presidente da República no segundo semestre deste ano.

De acordo com o relatório Jovens em Situação de Risco no Brasil, divulgado pelo Banco Mundial em 2007, as taxas de desemprego excepcionalmente altas entre jovens de 16 a 24 anos resultam em rendimentos anuais perdidos de até R$ 1,2 bilhão. Um em cada cinco jovens trabalha e estuda simultaneamente e 60% dos brasileiros entre 15 e 19 anos são trabalhadores não-pagos ou sem carteira de trabalho assinada. São dados preocupantes que terão um impacto extremamente negativo a curto e longo prazo.



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LEIA MAIS:

- Grupo aponta formas para difundir Lei do Aprendiz - Rede GIFE [clique aqui]

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